Mais velho da Superliga, Joel é chamado de Wolverine e conta segredo da carreira

Aretha Martins

Perto de completar 39 anos, oposto é elogiado pelo preparador físico do São Bernardo e diz que com ajuda da genética e dos anos no exterior consegue se manter até hoje no alto nível

No vôlei, uma das funções que dá vida mais longa ao atleta é a de levantador. Na Superliga 2011/2012, Fernanda Venturini foi a comandante das ações da Unilever aos 41 anos. Nesta temporada, a equipe aposta em Fofão, de 42. Mas e um oposto de alto nível, recordista de pontos em uma partida do torneio com quase 39 anos, é comum?

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Joel, atacante do São Bernardo, é esse jogador. Ele faz aniversário no dia 24 de abril, é chamado de Wolverine pelo preparador físico da equipe e diz que graças à genética e aos anos que atuou fora do Brasil consegue se manter no nível exigido pela Superliga. Joel é o mais velho do torneio. Marcelinho, levantador do Vivo/Minas, também fará 39 anos neste ano, mas apenas em novembro. 

“Eu sou um privilegiado, tanto pela genética, quanto pelo meu tipo físico porque eu sou alto e magro (2,02m e 100 kg). Acho que meu estilo de vida, meus hábitos, me ajudam bastante. Também sei o que me faz bem ou não nos treinos, o que se encaixa melhor. Além disso, passei muito tempo fora. Foram 12 temporadas no exterior e lá a carga de treinos é bem menor. Só na Argentina que é quase a mesma coisa que aqui”, afirma o oposto. 

Para quem não se lembra, depois de tantos anos longe dos brasileiros, Joel defendeu a seleção brasileira até 2000. Ele foi o maior pontuador da virada diante da Argentina na decisão do pré-olímpico para os Jogos de Sydney, mas depois não foi convocado pelo então técnico Radaméz Lattari para as Olimpíadas. E foi esse corte que o motivo a deixar o Brasil. 

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“Não ficou um trauma, mas foi o que me motivou a jogar no exterior. Fui para a Itália e fiquei seis anos lá. Foi o começo de uma nova carreira. Fechei a página de seleção e me dediquei mais a jogar pelos meus clubes”, conta o jogador, que já atuou na Europa, Japão e Emirados Árabes. 

Ele voltou ao Brasil para defender o São Bernardo no Paulista de 2011, passou mais uma temporada fora, na Argentina, e foi repatriado em 2012 pela equipe do ABC Paulista. “Chega, agora não dá mais para sair daqui. Estou fazendo faculdade, tenho família”, diz o também estudante de administração de empresas, marido de Katia, jogadora de vôlei, e pai de Matheus, de 10 anos. 

Na Superliga, a equipe ocupa o 8º lugar depois de perder por 3 a 2 para o Volta Redonda na rodada de quinta-feira. O time encara o Funvic/Midia Fone na última rodada para assegurar a vaga nos playoffs. Joel é reserva de Renan, jogador de 2,17m e 23 anos, mas é dono da maior marca de pontos em uma só partida na temporada. Diante do UFJF, no começo do anos, ele colocou 34 bolas no chão. Mas ele destoa no São Bernardo, um time que chama a atenção justamente por apostar em novatos, como Renan. A média de idade sem contar com Joel é de 21,16 anos. Com o veterano, sobe para 24,33. 

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Apesar da diferença na equipe, o preparador físico Marcelo Zangrande diz não ter trabalho para cuidar de um “velhinho” no meio de garotos. “Os treinos são individualizados para cada posição e trabalhar com o Joel é muito fácil. Toda a experiência acumulada, só facilita porque ele se conhece muito bem. Então, eu posso sentar com ele e ver o que é bom e o que cabe dentro do nosso treinamento. Se ele tem 38 anos e está jogando como está, é sinal que alguma coisa boa ele fez. Ele tem total automonia para propor e ver o que pode faze para se sentir bem. A minha função é colocar os atletas bem em quadra e ele me dá um norte”, explica Zangrande. 

O oposto ainda ganha elogios. “Falo que ele é nosso Wolverine. Ele tem capacidade física, força e impulsão com certeza de um atleta abaixo dos 30 anos. Ou seja, com isso ele já tem 10 anos de bônus”, avalia o preparador. 

A seu favor, Joel tem um histórico sem lesões. Ele só teve que operar os dois tornozelos porque torceu em “acidentes” de jogo. Joel diz sentir dores musculares normais aos atletas, mas não tem problemas de joelhos ou de ombros, comuns aos atacantes. 

“Eu gosto de jogar e gosto mais ainda de treinar. E se a cabeça não estiver boa, a cada dorzinha ou imprevisto, você vai querer pensar em parar. Claro que sempre tem dor. No dia seguinte, você fica acabado do treino e do jogo, mas tem cabeça para lidar com isso”, afirma. 

Com essa disposição, ele fica surpreso com algumas perguntas depois dos jogos. “Sempre me perguntam como eu aguento. Como se jogar com essa idade fosse algo assim, impossível, ou um grande sacrifício. Lá fora, se olhar o Campeonato Italiano, por exemplo, tem bastante jogador veterano. Aqui, você chega com 32 ou 33 anos e já é visto como velho”, comenta Joel. 

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Entretanto, como o mais experiente do grupo, ele não foge da função de ‘paizão’. “Minha relação com os mais novos é ótima. Acabei me proximando do Ricardo, que é ponteiro. Ele está na primeira Superliga e senti necessidade de ajudá-lo. Ele precisava de alguma coisa a mais”. 

Joel tem contrato com o São Bernardo até o final desta Superliga, mas a equipe fala em renovação. Ele trata o futuro com bom humor e não coloca datas na carreira. “Falo que estou fazendo hora extra, já, mas não tenho data para parar, não”, afirma. O preparador Marcelo Zangrande apoia. “Tudo vai depender da cabeça e da vontade dele de viver tudo isso. Se mantiver a mentalidade que está nesta temporada, chuto mais uns dois, três, cinco anos”, aposta Zangrande. 

Joel está perto de lista de veteranos no auge do esporte. Relembre quarentões que fizeram e ainda fazem sucesso:

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