Crimeia, na Ucrânia, inicia referendo sobre anexação à Rússia

iG São Paulo

Voto está sendo realizado sob tensão militar e crítica dos EUA e da UE. Resultado deve ser divulgado nesta segunda-feira (17)

A região da Crimeia votou neste domingo (16) sobre a possibilidade de exigir uma maior autonomia da Ucrânia ou se separar do país e se anexar à Rússia, em um referendo que foi condenado como ilegal pelos Estados Unidos e países europeus.

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A votação começou às 8h (horário local; 3h de Brasília) e deve ser encerrada 12 horas depois. Com pelo menos 1,5 milhão de pessoas aptas a votar, os resultados oficiais devem ser conhecidos nesta segunda-feira (17).

Paralelamente a questão do status futuro da província, o voto irá influenciar no futuro das relações internacionais da região e além – tendo colocado os Estados Unidos e a Rússia em uma rota de colisão jamais vista desde o fim da Guerra Fria.

Os Estados Unidos, que definiram a votação como ilegal, disseram esperar que a península do Mar Negro, com população majoritariamente russa, seja favorável a anexação à Rússia. Moscou tem apoiado fortemente o referendo.

Dando início a votação em uma declaração pré-gravada, o primeiro-ministro da Criméia, Sergey Aksyonov, pediu aos moradores para dar seu voto “independente do nacionalismo e da desintegração.” Aksyonov reconheceu que os “olhos do mundo inteiro estão sobre nós hoje” e pediu aos crimeios para mostrar a sua aspiração de “viver livre do mundo, com relações amigáveis ​​com todos”. Em assembleia de votos em Perevalnoye, perto de uma base militar, fluxo constante de eleitores depositou seu voto, apesar do clima de inverno. 

Estridentes melodias de dança e música folclórica russa acolheram os eleitores para o local de votação, em um eco dos tempos soviéticos. O que parecia ser um grupo de soldados russos – sem identificar insígnia, mas com placas russas em seus veículos – estava nas proximidades.

Svetlana Kalisetskaya, chefe da comissão eleitoral, disse à CNN que “em comparação com outras eleições, esta é muito mais animada e amigável”. Grigory Illarionovich, um eleitor, disse à CNN: “Estou para restaurar a Criméia à Rússia. Retomando o que Khrushchev tirou”.

A península fazia parte da Rússia até o líder soviético Nikita Khrushchev passar o local à Ucrânia em 1954. À época, a Ucrânia ainda fazia parte da União Soviética. A votação ocorre algumas semanas após as forças lideradas pelos russos assumirem o controle da Crimeia, uma região predominantemente russa. Seus moradores dizem temer o governo ucraniano, que assumiu quando o presidente pró-Rússia Viktor Yanukovych foi deposto no mês passado, possa oprimi-los.

No ultimo sábado (13), autoridades ucranianas disseram que as forças armadas da Rússia, amparados por helicópteros e veículos blindados, tinham avançado cerca de 10 km ao longo da fronteira da Criméia para outra região da Ucrânia, onde assumiu o controle de uma aldeia que tem um centro de distribuição de gás natural.

Dependendo do resultado do referendo, a Rússia enfrentará a perspectiva de sanções de países ocidentais, mas Moscou tem resistido vigorosamente aos apelos para se retirar da Crimeia. Desde que Yanukovych voou para a Rússia, a Crimeia está sob o controle de milícias locais, bem como as tropas fortemente armadas sob o comando aparente de Moscou.

Confira imagens do referendo na galeria de fotos

Eleitor segura cédula do referendo em Simferopol, Ucrânia

Eleitor segura cédula do referendo em Simferopol, Ucrânia

Foto: AP

Mulher coloca cédula do referendo em urna eleitoral, durante votação em Simferopol, Ucrânia

Mulher coloca cédula do referendo em urna eleitoral, durante votação em Simferopol, Ucrânia

Foto: AP

Novo primeiro-ministro da Crimeia, Sergei Aksyonov lança seu voto em assembleia de votos de Simferopol, Ucrânia

Novo primeiro-ministro da Crimeia, Sergei Aksyonov lança seu voto em assembleia de votos de Simferopol, Ucrânia

Foto: AP

Com sua filha, eleitor participa do referendo da Crimeia, Ucrânia

Com sua filha, eleitor participa do referendo da Crimeia, Ucrânia

Foto: AP

Idoso participa de referendo sobre anexação da Crimeia à Rússia, em Simferopol, Crimeia

Idoso participa de referendo sobre anexação da Crimeia à Rússia, em Simferopol, Crimeia

Foto: AP

Militares protegem o edifício do parlamento regional durante referendo da Crimeia em Simferopol

Militares protegem o edifício do parlamento regional durante referendo da Crimeia em Simferopol

Foto: AP

Bandeira da Rússia na entrada do prédio do parlamento regional da Crimeia

Bandeira da Rússia na entrada do prédio do parlamento regional da Crimeia

Foto: AP

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Autoridades da Crimeia pró-Rússia dizem que, caso os soldados ucranianos que ocupam suas guarnições não se renderem após a votação de domingo, eles serão considerados “ilegais”. Mas segundo o ministro da Defesa da Ucrânia, Igor Tenyuk, em uma entrevista publicada neste domingo pela agência de notícias Interfax, “esta é a nossa terra e nós não vamos a lugar nenhum.”

Em Sevastopol, mais de 70 pessoas surgiram nos primeiros 15 minutos de votação. “Hoje é um feriado”, disse um deles, Vera Sverkunova, de 66 anos. Questionada sobre como votou, ela respondeu com uma canção de guerra patriótica. “Eu quero ir para casa, para a Rússia. Já faz tanto tempo que vi minha mãe.”

O referendo é um “show de palhaços, um circo”, disse o líder da comunidade crimeia, Refat Chubarov, à uma estação de TV da Crimeia neste domingo. “Isso é uma tragédia, um governo ilegítimo, com forças armadas de outro país”.

Na ONU, a Rússia vetou no Conselho de Segurança a resolução que declararia o referendo ilegal, e a China, seu aliado, se abstive, em um sinal de isolamento de Moscou sobre o assunto. Os defensores da resolução, pedida pelos EUA, sabiam de antemão que a Rússia iria usar seu poder de veto no sábado.

Mas eles colocaram a resolução em votação para mostrar a força da oposição no Conselho de Segurança da ONU de 15 membros. A votação final teve 13 membros a favor, a abstenção da China e a Rússia, membro permanente do conselho, lançando o veto. 

O resultado do referendo deve ser conhecido nesta segunda-feira (17).


*Com AP, BBC e CNN


Fonte: Site Notícias do Último Segundo: o que acontece no Brasil e no Mundo.